Mtaylor848, CC BY-SA 4.0 , via Wikimedia Commons

Velharias nostálgicas ou antiguidades vintage?

Esses dias me deparei com um vídeo que me transportou à 25 anos no passado… Um carinha fez um golaço de trivela no futebol de botão. Exatamente como eu fazia às vezes, por sorte, nos campeonatos de futebol de mesa realizados entre os amigos do ensino médio.

Naquela época na qual a internet ainda era à vapor, poucas coisas eram feitas online, nós ainda dependíamos de formas de entretenimento e convívio social do mundo físico como jogar Super Nintendo ou fliperama (ah, depois preciso falar só dos fliperamas e locadoras…), e também esportes de mesa como totó ou futebol de botão, que, felizmente, mais de um amigo possuía mesa…

Futebol de Mesa (3253082803)

Para se jogar, dois conjuntos de botões eram necessários. A opção barata era a dos botões de plástico: brindes de Cosme & Damião ou facilmente achados nas lojas de R$1,99 (lembra quando era possível efetivamente comprar algo com menos de 2 reais? rs). Já quem tinha mais condições usava os botões de galalite, sólidos, equilibrados, bonitos e muitas vezes decorados com as cores e até os escudos dos times.

Existiam muitos formatos e tamanhos diferentes, mas mesmo os mais simples nunca foram muito baratos. Mesmo assim, me surpreendeu, depois de uma pesquisa semana passada, que tem gente anunciando (e vendendo!) botões de galalite por mais de 50 reais cada! Como é improvável que haja tantos jogadores ativos de futebol de botão nos dias de hoje comprando este material para uso, creio que comprem com o intuito de colecionar.

Até aí tudo bem, um nostálgico (como eu) pagaria um bom valor por coisas antigas, desde que elas tenham um valor pessoal (por ser algo que eu tive ou quis ter quando jovem, visto que este é o período da vida que você fica mais susceptível a estas influências). O que me incomoda é a vintageagem (processo de transformar velharias em coisas cool) desmedida.

Acho deveras idiota que alguém que nunca jogou Atari quando moleque pague uma grana absurda por um videogame pré-histórico. Alguém que nunca usou uma máquina de escrever, comprar uma só para compor o cenário. Alguém que nunca ouviu um LP, tacar uma vitrola no meio da sala para ouvir música com ruído propositalmente, só pra dar uma de sommelier de música velha na frente dos amiguinhos…

Esses itens são a realidade de um passado no qual haviam outras opções. O videogame era arcaico, o disco arranhava e um pedaço da música repetia em loop, a máquina fotográfica tinha 12, 24 ou 36 fotos e só dava pra saber como ficou depois de revelar (e se o filme não queimasse). Ninguém usava porque era cult, e sim porque era o que tinha. Aqueles que viveram (e sofreram) essa época acabaram aprendendo a apreciar esses sufocos.

Mas hoje tudo é muito melhor. A qualidade de imagem dos jogos parece coisa de cinema, você pode tirar milhões de fotos (e conferir na hora se ficaram boas) e toda a música é facilmente acessada na internet. Eu não entendo por que tanta gente quer romantizar um passado que nem viveu… Se eu tivesse nascido nesta época de jogos 100% online com joysticks com 12 botões (ou mais), definitivamente eu não olharia para trás.

Moral da história: Suas velharias podem valer muito para alguém

Se você é jovem e herdou velharias, ou se você é velho e quer reviver aqueles tempos onde as coisas eram mais complicadas mas a vida era mais simples, seus problemas acabaram! Existe alguns meios para resolver isso.

Recentemente eu tive a oportunidade de vender uns cartuchos antigos, uma máquina de escrever e até um mimeógrafo, fato que me permitiu liberar espaço (e verba) para comprar livros e videogames (não tão velhos).

Além de relíquias super manjadas como moedas, selos, etc, vários itens são bastante procurados e valiosos, como câmeras fotográficas tipo polaroid, vitrolas e discos de vinil, videogames e computadores clássicos, brinquedos, e mesmo coisas inesperadas como botões de futebol de mesa… Não se surpreenda se você tiver uma mina de ouro jogada em caixas no canto do armário.

Você pode anunciar em sites como Shopee, Enjoei, Mercado Livre, mas atenção às peculiaridades de cada site. Existem taxas variadas, se prepare para perder de 15% a 30% do valor anunciado em taxas de comissão, que variam de acordo com o tipo de conta, tipo de anuncio, etc.

Para vendas presenciais eu gosto do OLX (sempre marcando em locais públicos como shoppings e estações!), pois a segmentação de anúncios por local é boa, sendo mais fácil comprar e vender para pessoas próximas a você. Além disto, não há taxas e ambas as partes podem conferir o estado do produto, minimizando a chance de golpes.

Mas atenção: antes até do “bom dia“, supostos interessados já vão dizer “aceita oferta?” e vão tentar reduzir o valor anunciado em um terço. Por isso, sempre anuncie com um preço maior do que você deseja receber, visto que parece cultural que muquiranas sem-vergonha tentem economizar cada centavo que conseguirem através de chororôs desnecessários.