Richard Huber, CC BY-SA 4.0 , via Wikimedia Commons

A informática da idade da pedra

Ao relembrar como era a internet dos primórdios, aflorou à memória meus primeiros contatos com um computador. Aliás, o primeiro contato nem foi com o computador inteiro… Lembro de ver na casa dos meus avós, possivelmente no final dos anos 80, uns disquetes que meu tio, se me lembro bem, trouxe do trabalho. Eu fiquei maravilhado com essa bruxaria de guardar informações dentro daquele disquinho maleável semitransparente (óbvio que desmontei).

Para quem não faz ideia, um disquete é um dispositivo de armazenamento retangular que foi o único método viável para compartilhamento de arquivos durante este período, pois não existiam internet, discos ópticos, nem armazenamentos externos.

Certamente você já viu um disquete, pois sua imagem esteve presente no ícone de “salvar” em centenas de programas pelos últimos 40 anos…

Floppy disk 2009 G1

A parte difícil de lidar com disquetes é que eram extremamente frágeis, lentos e com pouquíssimo espaço de armazenamento… lembro do ódio de interromper uma instalação que levou meia hora, no penúltimo disquete, porque deu erro de leitura, que inferno!

Mas enquanto não havia opção, os disquetes acompanharam a história dos próprios sistemas operacionais, que no caso do público comum, começou com o MS-DOS. Nesta época, tudo que era feito no computador era digitado: comandos de texto de cor branca (ou verde ou laranja, depende do monitor) numa tela de fundo preto. Era como se todo mundo hoje usasse Linux (mas por falta de opção e não por insanidade).

Os sistemas operacionais e programas eram extremamente simples, tanto nos gráficos quanto no suporte a dispositivos como impressoras, placas de vídeo e de som (sim, até o som dependia de uma placa separada). Não existia plug-and-play, tudo era configurado manualmente. Lembro de quebrar a cabeça tentando configurar minha soundblaster para cada novo jogo no DOS.

Tanto sistema quanto programas estavam limitados a um ou poucos disquetes, rodando em computadores com no máximo 100MHz e 32MB (não é GB) de RAM.

Existiam alguns programas com interface visual (normalmente monocromáticos), que também eram abertos através de comandos de texto, sendo tudo rudimentar e limitado. A maior parte das tarefas era executada no teclado, o mouse era pouco utilizado… Até que ocorreu o lançamento do Windows 3.1! Nossa, que avanço! Telas coloridas, programas abertos simultaneamente, suporte mais fácil a configuração de placa de som, vídeo, etc. E ainda vinha com joguinhos!

Living Computer Museum IMG 0029 (9636214849)

No início, seu uso ainda era limitado às pessoas que trabalhavam em grandes empresas, herdeiros ou aos estudantes de cursos de informática (que aprendiam a tirar a capa do computador, a ligá-lo, a criar e apagar arquivos, a jogar paciência, a desenhar com o mouse, a desligá-lo e a recolocar a capa nele). Aliás, até hoje me pergunto se nessa época havia algum problema ambiental, visto que todas as partes possíveis de um computador (e talvez da TV, controle remoto, telefone fixo, maquina de lavar e botijão de gás) eram cobertas quando não estavam em uso…

Mesmo assim, a presença de computadores foi se tornando mais frequente, ao ponto que a versão seguinte do Windows, o 95, teve seu lançamento simultâneo ao início da internet no Brasil, o que tornou os computadores ainda mais desejados. E nessa mesma época o disco óptico (CD) começou a ser popularizado nos computadores.

Os CDs trouxeram um avanço exponencial para a complexidade dos programas e jogos, pois já não estariam mais limitados aos 1.44MB dos disquetes, podendo chegar à fantásticos 650MB, cavando assim uma vala bem funda para o sepultamento dos disquetes.

Esta foi a história da vida e morte dos disquetes, que permaneceram apenas na memória e nos ícones. Já os CDs, bem, é outra história…

Moral da história: Sistemas antigos são facilmente emulados em PCs novos