Compitador antigo estilo década de 90

A nostálgica informática da idade da pedra

Ao relembrar como era a internet dos primórdios, aflorou à memória meus primeiros contatos com um computador. Aliás, o primeiro contato nem foi com o computador inteiro… Lembro de ver na casa dos meus avós, possivelmente no final dos anos 80, uns disquetes que meu tio, se me lembro bem, trouxe do trabalho. Eu fiquei maravilhado com essa bruxaria de guardar informações dentro daquele disquinho maleável semitransparente (óbvio que desmontei).

Para quem não faz ideia, um disquete é um dispositivo de armazenamento retangular que foi o único método viável para compartilhamento de arquivos durante este período, pois não existiam internet, discos ópticos, nem armazenamentos externos.

Certamente você já viu um disquete, pois sua imagem esteve presente no ícone de “salvar” em centenas de programas pelos últimos 40 anos…

Floppy disk 2009 G1

A parte difícil de lidar com disquetes é que eram extremamente frágeis, lentos e com pouquíssimo espaço de armazenamento… lembro do ódio de interromper uma instalação que levou meia hora, no penúltimo disquete, porque deu erro de leitura, que inferno!

Mas enquanto não havia opções, os disquetes acompanharam a história dos próprios sistemas operacionais, que no caso do público comum, começou com o MS-DOS. Nesta época, tudo que era feito no computador era digitado: comandos de texto de cor branca (ou verde ou laranja, depende do monitor) numa tela de fundo preto. Era como se todo mundo hoje usasse Linux (mas por falta de opção e não por insanidade).

Os sistemas operacionais e programas eram extremamente simples, tanto nos gráficos quanto no suporte a dispositivos como impressoras, placas de vídeo e de som (sim, até o som dependia de uma placa separada). Não existia plug-and-play, tudo era configurado manualmente. Lembro de quebrar a cabeça tentando configurar minha soundblaster para cada novo jogo no DOS. Tanto sistema quanto programas estavam limitados a um ou poucos disquetes, rodando em computadores com no máximo 100MHz e 32MB (não é GB) de RAM.

Existiam alguns programas com interface visual (normalmente monocromáticos), que também eram abertos através de comandos de texto, sendo tudo rudimentar e limitado. A maior parte das tarefas era executada no teclado, o mouse era pouco utilizado… Até que ocorreu o lançamento do Windows 3.1! Nossa, que avanço! Telas coloridas, programas abertos simultaneamente, suporte mais fácil a configuração de placa de som, vídeo, etc. E ainda vinha com joguinhos!

Living Computer Museum IMG 0029 (9636214849)

No início, seu uso ainda era limitado às pessoas que trabalhavam em grandes empresas, herdeiros ou aos estudantes de cursos de informática (que aprendiam a tirar a capa do computador, a ligá-lo, a criar e apagar arquivos, a jogar paciência, a desenhar com o mouse, a desligá-lo e a recolocar a capa nele). Aliás, até hoje me pergunto se nessa época havia algum problema ambiental, visto que todas as partes possíveis de um computador (e talvez da TV, controle remoto, telefone fixo, maquina de lavar e botijão de gás) eram cobertas quando não estavam em uso…

Foi a melhora das condições econômicas do país (após o início do plano real), associada ao início da internet no Brasil, que permitiu que os computadores se tornassem cada vez mais presentes nos lares brasileiros.

A partir deste ponto, hardware, software e internet evoluíam ano a ano, a ponto de tornar tecnologias e recursos totalmente obsoletos em período de uma década ou menos! Até o presente momento passaram dezenas de linhas de processadores, mais de 10 versões do Windows, inúmeras tecnologias de armazenamento diferentes e hardwares como fax-modem, placa de som dedicada e impressora matricial sendo permanentemente aposentados.

Mesmo assim, há quem pague caro por equipamentos velhos. O primeiro motivo é a nostalgia. Quem viveu esse período pode desejar matar a saudade de jogos e programas daquela época. Recentemente eu encontrei a caixa do meu primeiro computador, com CDs e seus manuais dos softwares que vinham de brinde!

Caixa e Manuais do Primeiro Computador - Acervo Pessoal Fred Wallace
Caixa e Manuais do Primeiro Computador – Acervo Pessoal Fred Wallace

Não, eu não sou acumulador a ponto de guardar a caixa do primeiro computador sem motivo… Por ser uma caixa de tão boa qualidade, ela foi usada ao longo das décadas para armazenar fotografias e documentos importantes, e foi mantida em local protegido, por isso prevaleceu ao tempo, assim como seu conteúdo esquecido!

O ponto é que o encontro desta caixa celebra três décadas do meu primeiro computador (dado com muito esforço pelos meus pais) que trouxe muita alegria, conhecimento e oportunidades (e também algumas frustrações e muita insônia hahaha). Sentindo na pele uma overdose de nostalgia, fiquei curioso para rodar esses softwares, mas péra… Rodar CDs feitos para o Windows 3.1 em um computador de 2024?

O primeiro problema é físico, computadores atuais não possuem drives ópticos, mas isto pode ser contornado facilmente com um drive de CD externo. Felizmente eu tenho, pois pra mim o drive óptico é indispensável. Depois de dezenas de HDs queimados ao longo dos anos, não abro mão de backups em mídia… Mas e o sistema operacional?

Muitos softwares só rodam em versões antigas do hardware e/ou do sistema operacional! Para burlar isso, você precisa de um computador muito antigo (inclusive se você tem equipamentos muito antigos, eles podem mais valiosos do que seminovos modernos!). Ou simular um computador muito antigo dentro do seu computador atual, através de emulação, que é a forma mais simples e barata.

Moral da história: Sistemas operacionais antigos podem ser facilmente emulados em computadores novos

Através de tecnologias como emuladores de máquinas virtuais baseadas em JavaScript, é possível reproduzir sistemas como o MS-DOS e Windows 95 diretamente no navegador, oferecendo uma oportunidade de relembrar a experiência de computação de décadas passadas e permitindo que usuários interajam com softwares e jogos clássicos sem a necessidade de preocupações com compatibilidade de hardware.

Máquinas virtuais também são úteis como Sandbox, que nada mais é do que um sistema virtual separado dentro do seu computador, dentro do qual você pode executar arquivos de procedência duvidosa (com suspeita de vírus), ou ficar conectado à redes P2P para download de torrents (fato que te torna suscetível à invasão), sem comprometer o seu sistema principal e seus dados pessoais.

Veja este exemplo de máquina virtual do site PCjs Machines:

O sistema é totalmente funcional e permite enviar arquivos e rodar programas como se fosse um computador de 30 anos atrás, sem necessidade de instalar nenhum tipo de software!

Uma outra forma de emular sistemas é através do uso de softwares de máquina virtual, como VMWare Player e VirtualBox, ambos gratuitos. Estes softwares são instalados no seu computador atual, e te permitem rodar (e encerrar) a qualquer momento um ou mais sistemas operacionais (novos ou antigos).

O interessante destes softwares é que permitem um grau enorme de controle, como quanto de RAM e espaço de disco serão compartilhados, quantos núcleos de processador, quais recursos multimídia (webcam, placa de som, placa de rede) deseja liberar, entre outras inúmeras vantagens.